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Somente o bitcoin como reserva de valor e as stablecoins como meio de pagamento seriam as narrativas atuais.
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“O Bitcoin é a única moeda com um argumento convincente de longo prazo”, afirma o analista.
O mercado de criptomoedas ficou atrás dos mercados tradicionais. Por exemplo, enquanto o preço do bitcoin e da maioria dos ativos criptográficos está caindo, o índice S&P500 está sendo negociado perto de máximos históricos. Tal situação levanta questões sobre a real utilidade da maioria dos criptoativos.
Geneva Investor, analista financeiro, publicou um relatório em 27 de maio de 2026 em que alerta que as narrativas que alimentaram milhares de projetos de criptomoeda perderam força. Segundo o especialista, esses ativos estão sofrendo forte desgaste porque não cumpriram as promessas iniciais de avanço tecnológico e financeiro.
“O que estamos testemunhando coincide com um cenário de baixa”, ressalta. Ele acrescenta que o setor enfrenta um “problema narrativo”, já que as criptomoedas geralmente não funcionam como proteção contra a inflação no curto prazo.
Vale esclarecer que, diferentemente das criptomoedas em geral, o bitcoin (BTC) tem demonstrado historicamente ser um ativo capaz de funcionar como verdadeiro refúgio e proteção contra a inflação no longo prazo. Esta propriedade baseia-se na sua escassez absoluta programada de um máximo de 21 milhões de moedas e na sua política monetária regulada por cortes para metade a cada quatro anos.
O analista dá como exemplo plataformas DeFi que proporcionam operações financeiras sem intermediários por meio de contratos inteligentes e que atraíram milhões de usuários nos anos anteriores. No entanto, o setor enfrenta sérios obstáculos. DeFi é uma tecnologia ainda experimental que opera ao vivo, movimentando bilhões de dólares.
Conforme relatado pela CriptoNoticias, a indústria DeFi enfrenta incentivos para ser violada, código combinável que espalha o risco de um protocolo para o outro e uma superfície de ataque que cresce mais rápido do que a capacidade de auditá-lo. Essa vulnerabilidade foi exposta após a onda de hacks, “corralitos” e congelamentos por decreto que afetou diversos protocolos, principalmente entre abril e maio deste ano.
Refletindo esta realidade, o valor total bloqueado (TVL) em DeFi caiu 36%, de US$ 127 bilhões no início do ano para US$ 78 bilhões hoje.
“Apesar da menor euforia por novos projetos, o volume negociado se manteve praticamente estável nos últimos dois anos”, afirma o analista. Segundo o relatório, o valor é gerado principalmente nas taxas cobradas pelas exchanges e plataformas de custódia, e não nas próprias redes ou tokens.
A saturação do projeto – com dezenas de milhares de tokens lançados na última década – diluiu o capital dos investidores de varejo. Como consequência, muitas criptomoedas que anteriormente dominadas pela capitalização de mercado perderam posições drasticamente, diz o especialista.
“O que é ainda mais preocupante é que muitas criptomoedas que estavam entre as 10 principais por capitalização de mercado durante o mercado altista do BTC de 2020-2021 caíram dessa lista”, observou Geneva Investor. Entre esses projetos, o analista cita, por exemplo, cardano (ADA), polkadot (DOT) e litecoin (LTC) que hoje ocupam a 13ª, 37ª e 23ª posições respectivamente.
Atualmente, o ADA está sendo negociado a US$ 0,22, 92% abaixo do máximo histórico de US$ 3 alcançado em 2021. O DOT está cotado a US$ 1,13, 98% longe de seu pico de US$ 55, enquanto o LTC está sendo negociado a US$ 49, 88% abaixo de seu máximo histórico de US$ 412, também registrado em 2021.
Esta perda de terreno também se reflete na dominância do bitcoin (BTC), que atualmente está em torno de 60%, como pode ser visto no gráfico. Este nível indica que bitcoin ganhou uma participação relativa maior no mercado contra criptomoedas.


A música continuará tocando para bitcoin
Investidor de Genebra afirma que o bitcoin continua sendo, de longe, a moeda digital que mais justifica um investimento.
Acho que o bitcoin se estabeleceu como uma moeda cada vez mais dominante. Isto mostra que ainda é o criptoativo com a narrativa de mercado mais forte, e aquele que não se deixou levar pela lógica da negociação ativa em vez da criação de valor real. Neste sentido, continuo a considerá-la a aposta assimétrica mais interessante nesta área.
Investidor de Genebra, analista financeiro.
A sua consolidação como ativo de reserva global dependeria, segundo Geneva Investorque os bancos centrais, fundos de pensões e governos o adotem em grande escalaalgo que “resta ser visto”, diz ele.
O analista considera ainda que o ether (ETH), criptomoeda do Ethereum, pode ser uma “opção interessante, pois é a principal rede que suporta stablecoins”.
Além da narrativa do bitcoin como reserva de valor, o analista também vê com bons olhos as stablecoins USDT e USDC, dois tokens que foram favorecidos pelo avanço da Lei da Clareza nos Estados Unidos. Esta proposta legislativa procura criar um quadro regulamentar federal claro para os emitentes deste tipo de criptomoeda, exigindo reservas garantidas uma a uma por ativos líquidos e proibindo variantes algorítmicas arriscadas.
«É claro que investir numa moeda estável não faz sentido, uma vez que por definição está indexada à moeda subjacente. O que poderia fazer sentido é investir em instituições financeiras e projetos relacionados ao uso de stablecoins. Entre essas opções estão a aquisição de ações de empresas como a Circle (emitente de USDC), provedores de infraestrutura de custódia ou gateways de pagamento institucionais que integram stablecoins.
O cenário actual obriga os participantes do ecossistema a abandonarem a especulação baseada em promessas e a exigirem infra-estruturas comprovadas e valor real, observa o relatório. Essa transição redefine o mapa de riscos e aponta para um mercado mais maduro e profissionalizado nos próximos ciclos.






